O pâncreas é uma glândula do aparelho digestivo que desenvolve um importante papel na nossa digestão. Em forma de gancho, ele fica localizado atrás do estômago, entre o duodeno e o baço e suas principais funções são:

  • produção e secreção de enzimas digestivas para o duodeno através de um ducto (ducto pancreático). Estas enzimas ajudam na digestão de proteínas, gorduras e carboidratos;
  • produção e secreção de insulina e glucagon na corrente sanguínea para a regulação do uso de glicose pelas células do organismo. Ou seja, a falta desse hormônio provoca déficit na metabolização da glicose e, consequentemente, diabetes;

 

Pancreatite

A pancreatite acontece quando as enzimas produzidas pelo pâncreas se tornam ativas ainda no seu interior, inflamando a glândula. Em condições normais as enzimas pancreáticas só se tornam ativas quando saem do pâncreas e atingem o duodeno. A ativação destas enzimas no interior do pâncreas causa a destruição dos tecidos do próprio órgão.

 

O abuso de álcool

Sabia que uma das principais causas da pancreatite é o alcoolismo? O consumo abusivo de álcool, durante longos períodos pode gerar alteração no parênquima pancreático, endurecendo o tecido e o tornando fibroso, atrofiando a glândula. Ainda não se compreendeu exatamente o mecanismo do desencadeamento da doença, mas acredita-se que pode ser por ativação direta das enzimas pancreáticas ou pela formação de pequenos “cálculos” de proteínas que se formam no interior dos pequenos ductos do pâncreas, obstruindo-os.

Por isso, todo cuidado é pouco em períodos de festas e grandes comemorações. Lembre-se sempre:

  • Evite o consumo de álcool;
  • Pare de fumar;
  • Se hidrate;
  • Tenha uma dieta balanceada para diminuir os níveis de triglicérides no sangue e prevenir a formação de cálculos na vesícula;
  • Não faça refeições muito gordurosas, principalmente durante a ingestão de proteínas;

 

Sintomas da pancreatite

O principal sintoma da pancreatite é a dor abdominal. A dor geralmente é sentida na boca do estômago e pode ter irradiação para as costas. Tem intensidade muito variável, mas em geral é de forte intensidade e de início súbito e pode durar vários dias. A dor pode piorar com a ingestão de alimentos e melhorar curvando-se em posição fetal.

Pode haver náuseas, vômitos, febre e distensão abdominal. O paciente pode ter o pulso rápido e queda da pressão arterial. Mais raramente pode apresentar icterícia (coloração amarelada dos olhos e da pele). Na pancreatite crônica a dor pode ser intermitente e estar associada à diarréia ou gordura nas fezes.

 

Tratamento

O tratamento da depende basicamente da gravidade de cada caso.

Na pancreatite leve o tratamento é relativamente tranqüilo, apesar de haver indicação da internação hospitalar. O jejum é prescrito por alguns dias para que o pâncreas não seja estimulado com a presença dos alimentos no duodeno. O paciente só volta a se alimentar quando a dor desaparece e o quadro clínico melhora. Devem ser feitos a reposição de líquido e eletrólitos por veia periférica e a administração de analgésicos e antieméticos para o alívio das dores e dos vômitos, respectivamente. Antibióticos não são necessários na pancreatite leve. Se a ultrassonografia mostrar cálculos na vesícula ou barro biliar, a retirada cirúrgica da vesícula deve ser realizada na mesma internação.

Já no caso das pancreatites graves a história é um pouco diferente. O paciente é mantido em unidade de tratamento intensivo, com monitorização constante dos seus sinais vitais e atenção rigorosa na tentativa de diminuir a inflamação, evitar infecções e identificar as complicações que podem ser graves. Os pacientes são mantidos em jejum oral, mas pode-se introduzir uma sonda pelo nariz até o duodeno (sonda nasoenteral) e alimentar o paciente através dela. Como a sonda é colocada após a segunda porção duodenal, não há os efeitos da estimulação do pâncreas como acontece na alimentação oral. Às vezes é necessário a utilização de nutrição parenteral (com fluidos especiais por uma veia central). A reposição agressiva de líquidos e o controle dos eletrólitos são fundamentais. Os antibióticos são utilizados quando o paciente apresenta sinais de infecção ou de necrose séptica na tomografia. Em alguns casos o paciente pode apresentar choque, falência respiratória (podendo depender de respiradores), falência renal (podendo depender de hemodiálise) e falência múltipla dos órgãos.

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