Você vai até um consultório médico para um check-up ou para o acompanhamento de uma doença qualquer e quando o médico solicita uma ultrassonografia de abdome surge a surpresa: você tem cálculos na vesícula! Essa é uma situação bastante comum e é como a maior parte dos cálculos biliares são diagnosticados – em um exame de rotina, sem que o paciente sinta nada por causa deles.

 

E o que são cálculos? O que eles podem causar?

A vesícula biliar é um pequeno órgão que fica localizado junto ao fígado e funciona como uma espécie de reservatório, armazenando a bile nos períodos de jejum. A bile é composta basicamente de três substâncias: o colesterol, os sais biliares e a lecitina, normalmente é um líquido fluido e de coloração verde escuro, mas quando ocorre uma alteração na quantidade normal de uma dessas substâncias, esta pode se tornar insolúvel e começar a se precipitar formando grumos na bile, iniciando a formação dos cálculos biliares. Pode haver dor abdominal do tipo cólica, bem no meio do abdome ou um pouco mais para a direita, logo abaixo das costelas. A dor é pior após a alimentação, mas pode acontecer só de sentirmos o cheiro de alguns alimentos como as frituras, por exemplo. Náuseas, vômitos e sensação de digestão ruim, também são comuns. A intensidade e a freqüência dos sintomas varia muito entre pessoas diferentes e num mesmo paciente durante o curso de sua doença. Febre e icterícia sugerem complicações.

 

Mas se eu não sinto nada, porque preciso operar?

Justamente por não estar sentido nada, é muito comum que o paciente procrastine bastante para procurar um cirurgião e para agendar sua cirurgia. É exatamente aqui que eu quero chamar atenção para esta situação de risco a que alguns pacientes ficam expostos, por não saberem exatamente o que pode acontecer:

Quando estamos em jejum a vesícula biliar se enche de bile, que é uma substância produzida no fígado e que chega até a vesícula por pequenos canalículos, chamados de vias biliares. Quando nos alimentamos ou sentimos o cheiro ou o desejo de comer algo, a vesícula biliar se contrai e empurra a bile através destes canalículos até o intestino para ajudar na digestão dos alimentos. O problema é que os cálculos podem migrar através destes canalículos juntos com a bile e, dependendo de onde venham a se alojar, causar cólicas biliares, colecistite aguda, coledocolitíase e colangite e pancreatite aguda.

Lembre-se que esta situação da vesícula se encher e se esvaziar acontece várias vezes num mesmo dia! Também quero chamar a atenção para o fato de que as chamadas pedras ou cálculos, em geral não serem sólidos como pedregulhos, por exemplo. Mais comumente são pequenos grumos ou grânulos que estão agrupados e que são moldados ao longo do tempo pelas contrações da vesícula e por isso se “esfarelam” ou se desfazem muito facilmente.

Percebeu o risco que você pode estar correndo?

Por isso, não troque uma cirurgia simples, feita por videolaparoscopia em apenas um dia de internação, por um problema mais grave, ok? Trate esta situação de forma eletiva e viva com mais tranquilidade e saúde.

Pessoas com idade muito avançada, que são portadores doenças sérias e incapacitantes ou que possuam um risco cirúrgico muito alto são situações especiais e devem ser avaliadas com bastante critério, muitas vezes com auxílio de um parecer do cardiologista e do anestesiologista. Mas de forma geral, lembre-se:

pedras na vesícula, mesmo que não causem sintomas, é igual a uma cirurgia para a retirada da vesícula que se chama colecistectomia, o mais rapidamente possível!

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