4ª Parte – Pós-operatório e acompanhamento depois da cirurgia

 

  • 80 – Quando será o meu primeiro retorno no consultório?

O primeiro retorno habitualmente é por volta do sexto ou sétimo dia depois da cirurgia. Depois disso você terá retorno com dois meses, com seis meses e com um ano de pós-operatório. Depois de um ano os retornos passam a ser apenas anuais e geralmente feitos no mês de “aniversário da cirurgia”.

 

  • 81 – E quando devo retornar ao nutricionista e ao endocrinologista?

No nutricionista você deve retornar depois de 15 dias da alta hospitalar e é recomendável fazer pelo menos uma consulta por mês no primeiro ano. Com seu endocrinologista você deve retornar com dois meses de cirurgia e a periodicidade dos retornos depois disso, vai variar de caso para caso, mas de forma geral é feito a cada 3 meses no primeiro ano.

 

  • 82 – Vou precisar retirar pontos?

Não. Os pontos ficam internos, são de fio absorvível e não precisam ser retirados.

 

  • 83 – Quando vou tirar o dreno? Vou precisar fazer curativos em casa?

No primeiro retorno com o cirurgião é o dia em que retiramos o dreno abdominal. É importante deixar bem claro aqui que retirar o dreno não dói, é simples e bem rápido.

Depois de retirar o dreno, será necessário fazer curativos no local onde estava o dreno por alguns dias, até que o orifício se feche sozinho. Os curativos são simples e qualquer pessoa é capaz de fazê-los. Você receberá orientações sobre isso no dia do primeiro retorno.

 

  • 84 – Por quanto tempo vou precisar usar as meias elásticas?

A nossa orientação é usar as meias elásticas por 15 dias, desde a data da cirurgia.

 

  • 85 – Quanto tempo tenho que ficar sem trabalhar?

Normalmente 15 dias são suficientes para a maioria dos casos. Pacientes que têm um trabalho que dependem de força física, podem necessitar de mais tempo de afastamento.

 

  • 86 – Depois de quanto tempo vou iniciar a suplementação com as vitaminas?

A nossa sugestão é de que inicie o uso das vitaminas depois de 15 dias da cirurgia. A injeção de citoneurin iniciaremos apenas depois de 90 dias.

 

  • 87 – Posso tomar qualquer tipo de medicamento ou devo tomar alguma precaução depois de ser operado?

Os maiores riscos de complicações da cirurgia bariátrica geralmente acontecem nos primeiros trinta dias. Depois disso as chances diminuem bastante, mas como todos os pacientes que fazem cirurgias gástricas, devem ter cuidado especial no uso de anti-inflamatórios, corticóides, AAS e outros tipos de antiagregantes plaquetários.

 

  • 88 – Como eu fico sabendo se estou tomando a quantidade suficiente de líquidos depois de sair do hospital?

Normalmente deve-se ingerir por volta de dois litros de líquidos por dia. Olhar no espelho se sua língua está úmida e observar a cor da urina, que deve estar clarinha, ajuda a acompanhar se você está tomando a quantidade de líquidos necessária.

 

  • 89 – Com o que devo me preocupar no pós-operatório?

Você deve ficar atento à presença de febre, dor abdominal que não passa com analgésicos comuns e dificuldades respiratórias. Estes são sinais e sintomas de que você pode estar apresentando complicações como fístulas e o tromboembolismo pulmonar. Você também deve ficar atento à coloração da urina, que como já foi dito, pode ficar mais concentrada e de cor mais amarelada quando há desidratação.

 

  • 90 – O que são as fístulas?

Fístulas são como chamamos os vazamentos que podem acontecer nas linhas de grampeamento e nas suturas. Elas podem acontecer em até 1 a 2% dos casos e para o tratamento podem necessitar de jejum oral, o uso de nutrição parenteral e de antibióticos por alguns dias e, eventualmente, de nova cirurgia.

Atualmente o tratamento com as próteses endoscópicas tem ajudado bastante no fechamento das fístulas.

 

  • 91 – O que é tromboembolismo pulmonar?

Também chamado de embolia pulmonar, ocorre quando há a formação de um coágulo nas veias das pernas que posteriormente migra para os pulmões, impedindo a respiração adequada do paciente.

É uma condição rara com os cuidados que são tomados hoje em dia, como o uso de meias elásticas, anticoagulantes no intra e no pós-operatório e os massageadores que usamos nas pernas do paciente durante a cirurgia.

O tempo cirúrgico diminuiu muito nos últimos anos com os procedimentos laparoscópicos e com a maior capacitação da equipe cirúrgica, o que também favoreceu para a diminuição da incidência da embolia pulmonar. Porém, quando a embolia pulmonar acontece, geralmente trata-se de situação preocupante, que em alguns casos, pode até ser fatal.

 

  • 92 – Quanto peso devo perder nos primeiros meses de cirurgia?

Não existe uma regra do quanto de peso tem que ser perdido em determinado tempo, pois cada paciente é diferente do outro e cada caso tem uma evolução própria.

Perda de peso muito acentuada nos primeiros meses acaba deixando o paciente muito satisfeito, mas não é o ideal, porque geralmente leva a maior desnutrição e maiores alterações metabólicas.

O desejável é perder peso de forma lenta e contínua.

Nos primeiros três a seis meses de pós-operatório é quando se perde a maior parte do peso, há alguns parâmetros que seguimos, contudo, não há uma regra para isso.

O importante é entender que a perda de peso acontecerá nos primeiros 18 meses de pós-operatório, sendo bem mais difícil ocorrer depois disso. Por isso, o acompanhamento nutricional e a prática de atividades físicas regulares são muito importantes nesta fase. 

 

  • 93 – Quanto tempo preciso aguardar para iniciar as atividades físicas?

Logo nos primeiros dias você será encorajado a praticar caminhadas leves, mas atividades físicas vigorosas como fazer musculação, ginástica e jogar futebol, por exemplo, devem ser iniciadas após dois meses de pós-operatório.

 

  • 94 – Quando devo fazer novos exames?

Isso pode variar muito, dependendo de cada caso, mas de forma geral o endocrinologista os solicita logo no primeiro retorno.

 

  • 95 – Quanto tempo depois da cirurgia posso ficar tranquilo que não tenho mais riscos de apresentar complicações?

Como já foi dito, a chance de complicações mais sérias acontecem geralmente nos primeiros trinta dias. Há, contudo, complicações mais tardias, como a hérnia interna nos pacientes que fizeram bypass, anemia, desnutrição, úlceras de boca anastomótica, cálculos na vesícula e cálculos renais, por exemplo. 

 

  • 96 – Quanto tempo terei que ficar sem ter relações sexuais?

Normalmente é sugerido um período de 15 a 20 dias.

 

  • 97 – Estou tendo reganho de peso, o que eu devo fazer?

Se você fez uma cirurgia bariátrica e está apresentando reganho de peso, retome imediatamente o segmento com a equipe multidisciplinar (cirurgião bariátrico, endocrinologista, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta e profissionais de educação física).

Como já foi dito, o reganho de peso é habitual, geralmente acontece por volta de dois anos e se refere a um ganho de 5% a 10% de peso apenas. Isso faz parte do jogo e o que pode ser feito é melhorar a estratégia nutricional e aumentar a quantidade e intensidade de exercícios físicos.

Pode-se tentar associar o tratamento medicamentoso para perda de peso com substâncias como o orlistat, a liraglutida, a lorcaserina, a sibutramina e o topiramato. Normalmente isso é feito sob a orientação do endocrinologista que acompanha o paciente.

 

  • 98 – Tive recidiva da obesidade, e agora?

Se você teve recidiva da obesidade significa que você readquiriu 50% do peso que tinha perdido, ou 20% do peso com o retorno das comorbidades que já tinham sido controladas.

Essa é uma situação muito mais difícil de resolver e normalmente acontece porque o paciente não conseguiu fazer o seguimento multidisciplinar de forma adequada, não fez os exercícios físicos ou não mudou os seus hábitos alimentares e de vida, assumindo um comportamento que não é compatível com o controle da obesidade a longo prazo.

Depois de voltar a fazer o seguimento multidisciplinar de forma adequada, pode ser o caso de se tentar uma cirurgia revisional (falarei mais sobre isso abaixo) ou plasma de argônio.

 

  • 99 – Plasma de argônio resolve alguma coisa? Quando pode ser usado?

O plasma de argônio vem sendo utilizado para os pacientes que fizeram bypass e que apresentam aumento do calibre da anastomose gastrojejunal, ou seja, a junção do novo estômago com o intestino, que acabou se dilatando com o tempo.

É aplicado por via endoscópica e em caráter ambulatorial, promovendo um processo inflamatório na região da anastomose, com posterior cicatrização que provocaria o estreitamento da mesma.

Primeiro quero destacar que há uma grande discussão se o calibre aumentado da anastomose seria mesmo um fator que pode ser considerado como responsável pela recidiva da doença.

Em segundo lugar, como foi dito, devemos destacar que o procedimento não serve para todos os casos de cirurgia. Serve para os casos de bypass onde há a dilatação do calibre da anastomose gastrojejunal.

Em terceiro lugar, quando se faz uma revisão da literatura sobre o assunto, percebe-se que as publicações ainda são muito escassas, com números pequenos e com tempo de segmento muito curto, o que impossibilita chegar a uma conclusão mais adequada sobre sua eficácia.

É feita exclusivamente em caráter particular e, aparentemente, não há grandes complicações.

 

  • 100 – O que é cirurgia revisional?

Cirurgia revisional é o termo que empregamos quando é necessário que o cirurgião volte a operar um paciente que passou por um procedimento cirúrgico para o tratamento da obesidade e, que por algum motivo, está apresentando recidiva da doença. 

Seria um novo procedimento cirúrgico, o que é possível apenas em alguns casos. Veja alguns exemplos: o sleeve pode ser convertido no bypass; também podemos retirar a banda gástrica e realizarmos um bypass ou mesmo o sleeve).

A cirurgia revisional pode ser necessária em alguns casos em que ocorreu efetiva perda de peso e bom controle da obesidade, mas o paciente está apresentando complicações que não são possíveis de serem solucionadas apenas com o tratamento clínico ou medicamentoso.

Um exemplo dessa situação seria um paciente que fez sleeve e que vem sofrendo de refluxo gastroesofágico de difícil controle. Neste caso, o sleeve poderia ser convertido num bypass gástrico.

Ainda não há uma padronização ou consenso sobre este tema e, portanto, ainda há muito o que se discutir sobre a cirurgia revisional.

 

Atenção – É importante entender que a ideia aqui não é a de esgotar o assunto e nem mesmo substituir a avaliação individual e criteriosa do seu caso, o que deve ser feito, de preferência, por uma equipe multidisciplinar. Existem inúmeros pontos que podem variar um pouco dependendo da conduta de cada equipe cirúrgica e não há qualquer intenção de sugerir aqui o que é certo ou errado.

O real objetivo é trazer informações importantes e de forma prática aos nossos pacientes e leitores para que possam adquirir mais conhecimento sobre a Cirurgia Bariátrica e Metabólica e sobre as nossas rotinas. Acreditamos que Isso ajuda na sua decisão sobre a cirurgia, tira muitas dúvidas e proporciona um pós-operatório e o seguimento a longo prazo mais tranquilo e bem feito.