Você sabia que muitas das doenças gastrointestinais podem ser evitadas e até tratadas através da adoção de bons hábitos alimentares? A mudança nem sempre se trata de uma dieta, mas de reeducação alimentar. Em outras palavras, não se deve deixar de comer o que gosta para passar a se alimentar apenas de vegetais e alimentos light, por exemplo, mas aprender que é possível comer de tudo, sem exageros.

É comum haver confusão entre os dois termos, ou mesmo achar que são sinônimos, mas há grandes diferenças entre eles. Quer saber quais são elas? Confira as informações da nutricionista Carla Herculano de Ornelas Barbosa:

A DIETA se trata da restrição total ou parcial de alguns alimentos, seja para tratar alguma condição de saúde ou para emagrecer. Neste caso, o ideal é fugir das “dietas da moda” e buscar ajuda de profissionais especializados, que pode ser um médico (endocrinologista ou nutrólogo) ou um nutricionista. Dependendo das necessidades de cada paciente, esses profissionais também podem trabalhar de forma colaborativa para obter melhores resultados durante o tratamento.

No caso da REEDUCAÇÃO ALIMENTAR acontece o aprendizado para mudar os hábitos alimentares para sempre, e não apenas quando se pretende emagrecer. Aprender a prestar atenção nos alimentos que ingere e saber o quão bem ou mal fazem à saúde é a primeira etapa para a reeducação alimentar. O começo parece ser complicado para quase todo mundo. Por isso, a paciência e a persistência são fortes aliados durante este processo que pode ser dividido nas seguintes etapas:

 

Escolha alimentos saudáveis

Que tal consumir mais frutas, legumes, verduras, carnes magras e cereais? Evite alimentos muito industrializados como biscoitos, bolos e refrigerantes. Mudar o modo de preparar a comida também é muito importante. Em vez de fritos, os alimentos devem ser grelhados ou assados.

Na reeducação alimentar você não precisará abandonar a feijoada, a lasanha e o churrasco para sempre, tá? O segredo está em evitá-los no dia-a-dia e consumir estes alimentos de forma mais responsável – ocasionalmente e em pequenas quantidades, sem exagerar.

 

Coma a cada 3 horas

O nosso corpo não precisa “pensar” que precisa armazenar tudo o que consumir para estocar reservas de energia e gordura. Essa foi uma herança recebida de nossos ancestrais, quando a comida era escassa e não se sabia quando seria a próxima refeição.

Assim, o ideal é fazer pequenos lanches entre as principais refeições. Para a hora que bate aquela “fominha”, mantenha dentro da bolsa barrinhas de cereais, frutas secas, como nozes e castanhas  ou até frutas que podem ser levadas sem condicionamento, como maçã, pera, mexerica, laranja, entre outras. É importante lembrar que as frutas possuem açúcar, por isso não devem ser consumidas em grandes porções. Quem gosta de pepino e cenoura, pode levar para o trabalho palitos feitos com estes legumes saudáveis e pouco calóricos. Tudo deve ser consumido em pequenas porções.

 

Beba água

A água é fundamental para facilitar a digestão e para que os nutrientes dos alimentos sejam levados para todo o corpo. Manter-se hidratado é fundamental. Portanto, beba cerca de 8 a 10 copos de água diariamente.

 

Consuma alimentos com fibras

As fibras melhoram a digestão dos alimentos e ajudam no funcionamento do intestino. Elas ainda são responsáveis por dar saciedade (diminuir a fome) e fazer com que o corpo absorva menos colesterol e outras gorduras.

 

Mastigue devagar

Essa parece uma dica simples e banal, mas ela é muito importante. Ao mastigar bem a comida, seus nutrientes são bem aproveitados pelo corpo, além de dar a sensação de ter saciado a fome com mais facilidade, fazendo com que a pessoa coma menos em cada refeição.

 

Força de vontade e otimismo

Ao começar a seguir todos os itens anteriores, a pessoa deve acrescentar doses extras de força de vontade e otimismo. Imaginar-se vestindo aquela calça que não servia mais, sentindo mais fôlego para realizar pequenas ou grandes tarefas são exemplos de pensamentos que dão aquela força para seguir em frente e se manter disciplinado.

É importante lembrar com convicção que os novos hábitos são muito mais saudáveis a cada vez que sentar à mesa para fazer refeições em família. Assim, mesmo que eles estejam comendo alimentos pouco nutritivos e em grandes quantidades, a dica é focar no próprio prato. Além disso, a reeducação alimentar de um pode contagiar quem está ao seu redor fazendo, portanto, com que todos se alimentem melhor.

 

CHECK-LIST DA REEDUCAÇÃO ALIMENTAR:

1) Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados;
2) Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades;
3) Limite o consumo de alimentos processados;
4) Evite alimentos ultra processados, que são aqueles que sofrem muitas alterações em seu preparo e contêm ingredientes que você não conhece;
5) Coma regularmente e com atenção. Prefira alimentar-se em lugares tranquilos e limpos e na companhia de outras pessoas;
6) Faça suas compras em locais que tenham uma grande variedade de alimentos in natura. Quando possível, prefira os alimentos orgânicos e agroecológicos;
7) Desenvolva suas habilidades culinárias. Coloque a mão na massa, aprenda e compartilhe receitas;
8) Planeje seu tempo. Distribua as responsabilidades com a alimentação na sua casa. Comer bem é tarefa de todos;
9) Ao comer fora, prefira locais que façam a comida na hora;
10) Seja crítico. Existem muitos mitos e publicidade enganosa em torno da alimentação. Avalie as informações que chegam até você e aconselhe seus amigos e familiares a fazerem o mesmo. Procure sempre um especialista.

Para saber mais sobre as doenças gastrointestinais, clique AQUI.

 

FONTE: adaptado de GUIA ALIMENTAR DA POPULAÇÃO BRASILEIRA – mds.gov.br/2017