Gastroplastia Vertical (Sleeve)

Entenda porque esta é a técnica de gastroplastia mais realizada no mundo. 

Ainda realizamos no Brasil mais gastroplastias do tipo bypass do que as gastroplastias verticais, que comumente chamamos de Sleeve. No mundo todo o Sleeve já é a técnica mais realizada e esta realidade está mudando bastante por aqui também.

Veja como funciona o Sleeve e entenda porque esta técnica se tornou a coqueluche entre os cirurgiões:

A técnica consiste no grampeamento longitudinal do estômago como demonstrado na figura acima, sendo retirados de 70-80% do estômago. Nesta técnica não há desvios no intestino e seu benefício vem basicamente de dois fatores, um mecânico e outro endócrino:

O fator mecânico acontece porque o estômago é reduzido no volume e na sua capacidade de distensão. O resultando é um reservatório de apenas 80-100 mL. Quando nos alimentamos, grande parte da saciedade vem da distensão do estômago, por isso pacientes que estão acostumados a comer bastante volume, precisam comer muito para se sentirem satisfeitos. O paciente depois desta cirurgia não consegue comer muito de cada vez porque seu estômago ficou pequeno e quase não se distende, produzindo saciedade mais rapidamente.

O fator endócrino acontece porque quando retiramos esta grande parte do estômago, retiramos a parte que produz um hormônio chamado Grelina, que é responsável pela sensação de fome quando o estômago se esvazia. Também por isso, temos menos desejo de comer ou mais saciedade com esta cirurgia.

É uma técnica cirúrgica muito mais simples de se executar do que o bypass, por exemplo, requerendo menos expertise do cirurgião que a pratica. Equipes experientes são capazes de realizar uma gastroplastia vertical por laparoscopia em apenas 30 a 40 minutos.

O índice de complicações é ligeiramente menor do que no bypass e o resultado é muito semelhante em termos de porcentagem de perda do excesso de peso.

Há ainda a vantagem de se alterar muito pouco a anatomia normal, preservando o trânsito dos alimentos pelo duodeno, onde há a absorção de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B.

Como o duodeno está preservado, quase não há sintomas da síndrome de dumping, que geralmente ocorre quando há o esvaziamento rápido do estômago, bem mais comum no bypass.

Como não há desvios no intestino, não são necessárias as anastomoses, que seriam as junções entre as partes intestinais seccionadas. Também não há dificuldade na absorção de de vitaminas, por isso o paciente dificilmente necessitará de suplementos vitamínicos como no bypass.

 

Um pouco de história:

Em 2002 um médico canadense chamado de Michel Gagner, estava preocupado com as complicações e a mortalidade perioperatórias de pacientes com doenças graves associadas à obesidade e com os pacientes super obesos e propôs uma cirurgia bariátrica que seria realizada em duas etapas.

No primeiro ano seria feita a redução do estômago propriamente dita, que é o que conhecemos hoje como Sleeve e no segundo ano se complementaria a cirurgia com o desvio do intestino com uma técnica conhecida como Duodenal Switch.

O que acabou surpreendendo a todos foi que vários pacientes que foram submetidos à primeira etapa da cirurgia tiveram resultados tão satisfatórios que acabaram se recusando a participar da segunda fase ou segundo tempo da cirurgia.

Assim surgiu esta técnica que se demonstrou bastante eficaz, tanto no controle da obesidade, como no controle das doenças associadas a ela.

 

Quais são as vantagens do Sleeve?

  • produz perda de peso rápida e é possível perder entre 50-70% do excesso de peso do paciente;
  • mais fisiológica, por que não tem desvios intestinais;
  • de execução mais rápida, porque não tem as anastomoses intestinais;
  • menos anemia no pós-operatório;
  • menos distúrbios vitamínicos com pouca ou nenhuma necessidade de suplementação vitamínica no pós-operatório;
  • tem a vantagem de que todo o tubo digestivo superior pode ser avaliado internamente com uma endoscopia;
  • não é necessária a colocação de dispositivos dentro do corpo do paciente como na banda gástrica ajustável;
  • chance de apresentar a síndrome de dumping é muitíssimo menor do que no bypass;
  • tem risco de complicações muito baixo;
  • não há possibilidade de ocorrer a hérnia de Petersen;

 

Quais são as desvantagens?

  • técnica nova sem tempo de segmento muito longo;
  • menor porcentagem de controle do diabetes grave quando comparada com o bypass (numa revisão sistemática de 27 estudos, o diabetes tipo II foi resolvido em 66.2% dos pacientes que se submeteram ao Sleeve, melhorou em 26.9% e permaneceu estável em 13.1% dos pacientes);
  • não é preconizada para os pacientes com refluxo gastroesofágico (DRGE) severo, onde o bypass tem resultado melhor (atenção: a maioria dos pacientes com DRGE podem ser operados com melhora importante dos sintomas);

 

Importante!

A cirurgia, independente da técnica escolhida pelo cirurgião e pelo paciente, não é isoladamente a solução para a obesidade. O procedimento cirúrgico sem mudança de hábitos e comportamentos, não é capaz de provocar uma perda do excesso de peso de forma adequada e duradoura. Mesmo que se consiga a tão desejada perda de peso, é imprescindível que outras medidas como dieta, exercícios físicos, mudanças de comportamento e de estilo de vida aconteçam. A técnica chamada de bypass continua sendo uma ótima escolha para alguns casos e nós a realizamos rotineiramente.

 

Atenção: se você vai operar não deixe de ler a publicação que eu deixo neste link e para saber mais sobre a cirurgia da obesidade clique aqui.