O outono chegou e junto com ele os primeiros dias frios do ano. A mudança de temperatura é propícia às doenças respiratórias que são velhas conhecidas de todos: gripes, resfriados e seus sintomas clássicos como tosse, rouquidão, coriza e dor de garganta. Mas, você sabia que alguns desses sintomas tão “comuns” podem indicar uma condição patológica completamente diferente? Estou falado do refluxo gastroesofágico!

 

E o que é o refluxo?

Refluxo gastroesofágico é o nome da doença que acontece quando há a migração de parte do conteúdo do estômago para cima, em direção ao esôfago, podendo provocar inflamações neste órgão ou mais pra cima, na garganta.  Isto acontece o tempo todo, em praticamente em todas as pessoas. Após as refeições é comum que uma pequena quantidade do líquido reflua do estômago para o esôfago. Isso é chamado de refluxo fisiológico, que não é uma doença e nem causa problemas, pois sua freqüência e duração são curtas e porque a saliva que deglutimos “lava” o esôfago constantemente.

O problema só aparece quando o esôfago recebe um refluxo ácido constante e de grande intensidade. A inflamação da mucosa do esôfago causada pelo refluxo é chamada de esofagite. Os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) não advêm apenas da inflamação do esôfago, podendo ocorrer quando o refluxo atinge a laringe, as cordas vocais, a faringe, a árvore traqueobrônquica e até os pulmões.

 

Qual a diferença de sintomas?

A principal diferença entre a DRGE e um resfriado comum é ausência de febre e dos sinais de congestão. Além disso, no caso do refluxo o quadro é muito mais arrastado e não se resolve espontaneamente como na maioria dos quadros respiratórios causados por infecções virais, por exemplo.

Quando o refluxo atinge a laringe, faringe, árvore traqueobrônquica e pulmões, os sintomas podem ser tosse seca ou com secreção, rouquidão, dor no tórax que pode parecer infarto, pigarro e sensação de irritação freqüente na garganta. Menos comumente pode ocorrer asma e pneumonias. Esses são os chamados sintomas atípicos da DRGE.

Classicamente as principais queixas de quem sofre de refluxo são a azia, que é aquela sensação de queimação “na boca do estômago”, dores no meio do tórax, arrotos, desconforto para deglutir e regurgitação.

 

Como tratar?

Ao contrário de uma doença respiratória comum, o tratamento da DRGE é feito através da mudança do estilo e hábitos de vida. Se estiver acima do peso, prepare-se, a dica aqui é emagrecer. Alimentos gordurosos, álcool, chocolates, sucos cítrico e molhos vermelhos devem ser evitados. Também é recomendado se alimentar várias vezes ao dia e em pequenas porções. Aquela soneca depois do almoço também não vai poder acontecer. Se fizer questão de tirar uma soneca, vai ter que mudar de posição (deve-se levantar a cabeceira da cama cerca de 20 cm), mas não é recomendado se deitar pelo menos três horas depois das refeições.

No caso dos medicamentos, os inibidores de bomba protônica como omeprazol, lansoprazol, rabeprazol e esomeprazol, diminuem muito a secreção de ácido pelo estômago e os pró-cinéticos como a bromoprida e a domperidona, que promovem o esvaziamento gástrico mais rapidamente, são as drogas mais comumente usadas.

A cirurgia para a DRGE tem indicação quando o paciente não se adapta às medidas comportamentais e aos medicamentos ou quando não se obtém o desaparecimento dos sintomas e do processo inflamatório. Se o paciente é muito jovem, com expectativa de vida longa ou quando este não consegue arcar com os custos do tratamento, a cirurgia deve ser considerada.

Atenção: evite a automedicação e procure sempre um especialista!

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