Esta é uma situação muito comum nos consultórios de gastroenterologia: você faz uma ultrassonografia por qualquer motivo e tem o resultado de esteatose hepática, que também é conhecida como fígado gorduroso.

Outros exames como a tomografia de abdome e a ressonância magnética do abdome superior também podem sugerir o diagnóstico de esteatose hepática.

Também é comum recebermos pacientes que são encaminhados para avaliação por causa de alterações nos exames de sangue, que comumente chamamos de exames de função hepática e, muitas vezes, a investigação acaba mostrando que se tratam de casos de esteatose hepática.

O curioso é que são situações onde o paciente não sente absolutamente nada.

Fique atento, porque a doença é mais comum do que imaginamos e até 30% das pessoas no nosso meio possuem algum grau de esteatose hepática!

 

Mas devo me preocupar se eu não sinto nada?

A resposta é sim. Se a doença não for controlada pode progredir para a esteato-hepatite, que é uma espécie de inflamação do fígado causada pelo acúmulo de gordura e em casos mais raros para cirrose e para o carcinoma hepatocelular, que é uma espécie de câncer do fígado.

Por sorte quase 80% dos casos de esteatose não progridem para estas outras formas. Lembre-se que não há sintomas típicos de esteatose hepática e que a imensa maioria dos pacientes é completamente assintomática, ou seja, não sentem nada.

 

Ok, mas o que deve ser feito? Como se dá o tratamento?

Primeiro você deve procurar um gastroenterologista que pedirá exames para saber em que estágio da doença você se encontra. Seu médico provavelmente pedirá exames como TGO, TGP, gamaGT, fosfatase alcalina, bilirrubinas, TAP, TTPA, proteínas totais e frações, glicemia de jejum, hemoglobina glicosilada, colesterol total e frações, triglicérides, insulina, ácido úrico e ferritina.

Se você já tem uma ultrassonografia, isso deve bastar para saber se há sinais de esteato-hepatite ou cirrose. A biópsia hepática pode ser necessária em alguns casos e pode ser feita por laparoscopia ou guiada por ultrassonografia.

Não há tratamento medicamentoso específico para a esteatose hepática e o tratamento deve ser individualizado de acordo com a causa da esteatose. A esteatose hepática é dividida em dois grandes grupos: um grupo onde a esteatose é causada pelo consumo excessivo e crônico de bebidas alcoólicas (Doença Hepática Gordurosa Alcoólica) e outro onde a esteatose é causada por outros fatores de risco e denominada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica.

Parar de beber é essencial no primeiro caso e no segundo grupo pode ser necessário o controle da obesidade, da hipertensão arterial, do hipotireoidismo, da síndrome do ovário micropolicístico e a suspensão do uso de medicamentos em alguns casos.

Em ambos os grupos o controle do peso, uma alimentação saudável e, de preferência, com o auxílio e orientação de uma nutricionista e a atividade física regular e também orientada de forma responsável, são essenciais para o sucesso e o controle da esteatose.

 

Você tem cuidado bem do seu fígado? Nós temos o costume de culpar o nosso fígado sempre que sentimos dores de cabeça, boca amarga, enjoo ou mal estar. Pois saiba que isso geralmente não tem nenhum fundamento. Não fique tomando aqueles medicamentos que supostamente limpam o fígado, principalmente depois de ter abusado de bebidas alcoólicas. Neste caso o melhor a fazer é uma boa hidratação, bastante repouso e uma alimentação leve e saudável.

 

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