Parece que precisamos mudar a forma como frequentemente enxergamos e entendemos a obesidade.

É o que dizem os especialistas, que acreditam que a obesidade é uma doença e não uma condição do paciente que teria assumido um estilo de vida inadequado.

Normalmente achamos que uma pessoa é obesa porque come muito, mas parece que entendimento mais adequado é que ela come muito, porque é portadora de uma doença crônica chamada de obesidade, o que é muito diferente. “Existe um mecanismo fisiopatológico que mantém a gordura corporal excessiva além do que é normal ou saudável, então esse mecanismo nos levará a comer demais no caso da obesidade”, disse o Dr. Kaplan, diretor do Obesity, Metabolism and Nutrition Institute no Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA).

Há um estudo interessante onde os pesquisadores acompanharam as tendências do IMC (índice de massa corpórea) de 1980 a 2013 (Lancet 2014;384:766-781). Nesse estudo fica bem demonstrado que nenhum país, desenvolvido ou não, conseguiu diminuir a incidência de obesidade ao longo dos últimos 40 anos, pelo contrário! Isso parece ser o argumento mais poderoso para se dizer que a obesidade não decorre de uma opção de estilo de vida.

Mas, se a obesidade de fato é uma doença, será que apenas a redução de peso através da cirurgia e da reeducação alimentar é capaz de curá-la?

 

A Cura

Em entrevista o médico explicou que assim como o diabetes, a obesidade também nunca é “curada”, mesmo quando o IMC de um paciente passa a ser considerado saudável. O que parece que conseguimos é algum controle da obesidade, assim como fazemos com o diabetes ou a hipertensão, por exemplo. Os pacientes “ainda sofrem de doença da obesidade, mesmo aqueles que já não correspondam à definição da obesidade pelos nossos parâmetros”, explicou o Dr. Kaplan.

“Meus colaboradores e eu acreditamos – e a Obesity Society e outras organizações profissionais concordam – que a obesidade é uma doença”, disse o Dr. Kaplan aos delegados da reunião de 2018 das Pediatric Academic Societies.

Se a obesidade for de fato uma doença crônica, os médicos precisam tratá-la como tal. E há muitas boas razões para fazer isso, ressaltou o médico. Primeiro, a obesidade traz importantes riscos adversos à saúde. O diabetes tipo 2, por exemplo, é comum nos casos de obesidade, como o são a hipertensão, a dislipidemia, a apneia do sono e a esteatose hepática. O cenário indica que o tratamento das comorbidades, ou seja, doenças relacionadas à obesidade, ditam a conduta terapêutica para o tratamento da própria obesidade – causa do problema. Assim, o tratamento da obesidade em si, passa a ser muitas vezes negligenciado como causa principal de todos estes outros desarranjos do organismo.

 

Novos Caminhos

Dr. Kaplan sugere que a obesidade tem de ser deflagrada através de processos fisiopatológicos, como ocorre com diversas outras doenças crônicas e tratada de forma mais objetiva e até mesmo preventiva. “Podemos discordar sobre qual é a principal causa da obesidade, mas a via final, pela própria natureza dela, tem de ser fisiopatológica, não o mero controle voluntário do equilíbrio energético”, disse o médico.

O arsenal terapêutico da obesidade é composto de dieta saudável, exercício físico, redução do estresse, melhora da saúde do sono, restabelecimento dos ritmos circadianos normais, os medicamentos contra a obesidade (como a metformina e a liraglutida) e a cirurgia bariátrica. Mas, não são todos os pacientes que respondem bem a estas medidas. O que também parece estar claro é que existem vários subtipos de obesidade que, se mais bem definidos, poderiam ser usados para prever o quão bem os pacientes podem responder a um determinado tipo de intervenção. “À medida que aprendermos mais sobre a heterogeneidade da obesidade, prevejo que poderemos oferecer tratamentos mais individualizados e eficazes, que por fim irão conduzir a estratégias mais eficazes de prevenção da obesidade”, conclui o médico.

Fonte: texto adaptado de “Obesidade é uma doença, não uma escolha, dizem especialistas” – Medscape – 23 de mai de 2018.

 

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