É muito comum que pacientes que se submeteram a uma gastroplastia deixem recados com a secretária no consultório do seu cirurgião pedindo uma cartinha para que possam levar ao posto de saúde e obterem a liberação para tomar a vacina da gripe. Mais comum do que vocês imaginam. Mas será que isso é realmente necessário?

 

Vejamos:

A gripe é uma doença muito comum nos meses mais frios do ano, acomete o mundo todo, tem fácil transmissibilidade e é causada pelo vírus da Influenza. Existem 3 tipos de vírus da Influenza, os tipos A, B e C. O famoso H1N1, por exemplo, é um subtipo do vírus A.

Os sintomas mais comuns são coriza, espirros, tosse, dor no corpo, dor de garganta, dor de cabeça e febre alta. Pode se dizer de forma simples que a gripe é um resfriado bem forte, com sintomas mais intensos, duração mais longa e maior risco à saúde.

A transmissão se dá através de secreções das vias aéreas do paciente contaminado, quando tossimos, espirramos, falamos próximo a outra pessoa e quando levamos as mãos contaminadas na boca, nos olhos e no nariz.

Engana-se quem acha que se trata de uma doença boba e sem riscos. Na verdade idosos, crianças, paciente imunodeprimidos e portadores de doenças crônicas podem até morrer de uma gripe. Portanto o caso é sério e necessita de esclarecimentos.

A prevenção se faz evitando o contato com estas secreções. Assim, deve se evitar aglomerações de muitas pessoas, principalmente em ambientes fechados, deve-se evitar o contato com pessoas doentes, lavar bem as mãos e não compartilhar objetos pessoais como toalhas, talheres e copos.

 

Atenção para alguns detalhes importantes!

  • A vacina da gripe deve ser tomada todos os anos porque a imunidade conferida pela mesma tem duração de aproximadamente 12 meses e porque o vírus sofre mutações todos os anos;
  • Não é possível pegar gripe tomando a vacina, porque a vacina é feita com o vírus morto;
  • É importante salientar que não há riscos para o bebê, nem quando a mãe grávida é vacinada e nem quando bebê toma a vacina (lembrar que aqui falamos de bebês apenas acima de 6 meses);

 

OK, mas quem deve tomar a vacina da gripe?

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação da gripe deste ano vai do dia 23 de março ao dia 11 de junho e deve ser para os seguintes casos:

  • Crianças de 6 meses a 5 anos;
  • Pessoas com mais de 55 anos;
  • Gestantes;
  • Mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias;
  • Profissionais da saúde;
  • Professores da rede pública e privada;
  • População indígena;
  • Portadores de doenças crônicas, como diabetes, asma e artrite reumatoide;
  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer que fazem quimioterapia e radioterapia;
  • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que estão sob medidas socioeducativas
  • População privada de liberdade
  • Funcionários do sistema prisional
  • Profissionais de forças de segurança e salvamento (policiais e bombeiros, por exemplo)

 

Poxa, mas curiosamente ninguém falou em pacientes que fizeram cirurgia bariátrica!

Pois é… Em tese todo mundo poderia tomar a vacina da gripe, com pouquíssimas exceções, certo? Mas porque o governo não libera a vacina pra todo mundo?

É simples, porque os recursos são escassos e é fundamental utilizá-los de forma inteligente e sem desperdícios. Isso é o que as nações mais civilizadas fazem com os seus recursos.

 

Atenção!

Nos casos dos pacientes obesos com IMC maior que 40, nos casos onde há doença metabólica grave e diabetes descompensado, há o entendimento de que estes paciente realmente possuem maior risco relacionados à complicações da gripe e, portanto, seria prudente e interessante vaciná-los.

Veja que neste caso não estamos falando de pacientes que foram operados para o tratamento da obesidade, que perderam peso, que seguem as orientações que foram dadas pelos profissionais que os assistem e que estão saudáveis.

Em alguns casos de pós-operatório tardio, em que o paciente não faz um acompanhamento adequado, está desnutrido e muito emagrecido também pode ser uma situação onde a vacinação contra a gripe seja interessante. Isso pode acontecer especialmente nas gastroplastias do tipo duodenal switch, scopinaro e em alguns casos de bypass. Mas é importantíssimo que o paciente entenda que cada paciente é um paciente diferente e que não dá para botar todo mundo numa mesma sacola e, exatamente por isso, é fundamental que você consulte o seu médico para saber se você se encontra entre os casos em que se justifica a vacinação.

Se isso não acontecer, ou seja, se não houver critérios para a sua inclusão nos casos de indicação nesta campanha, o mais adequado é você procurar uma unidade de vacinação particular e pagar pela vacina, se ainda assim você quiser se vacinar. Nestes locais, você habitualmente é consultado pelo médico ou farmacêutico responsável e ele o orientará sobre a sua situação específica e se há contra-indicações.

Por fim, é importante destacarmos que as campanhas de vacinação no Brasil são geralmente muito bem sucedidas, que o governo leva isso muito a sério e, que por sorte, em nosso país não há movimentos contrários às campanhas de vacinação, como recentemente aconteceram em alguns países da Europa, onde doenças como o sarampo e a hepatite reapareceram em surtos por conta disso.

 

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