É impressionante como o consumo de vitaminas e suplementos alimentares tem aumentado nos últimos anos. Parece que ir para a academia, realizar exercícios físicos e ter uma alimentação saudável deixou de ser o bastante e cada vez mais pessoas consomem suplementos alimentares e vitaminas sem nenhum tipo de orientação e acompanhamento médico ou nutricional. Tanto os jovens, que querem aquele corpo atlético e sarado, como os adultos de meia idade, que almejam uma vida mais longa e saudável, parecem acreditar cegamente que o consumo dessas substâncias é a resposta para alcançar seus objetivos. Seus benefícios reais, no entanto, permanecem uma questão a ser respondida.

 

Um mercado lucrativo

O mercado mundial de vitaminas e suplementos alimentares movimenta só nos Estados Unidos mais de U$ 30 bilhões anuais, com inúmeros produtos vendidos em farmácias, lojas especializadas e através da internet, se tornando um forte segmento de consumo. Acredita-se que naquele país, mais de 50 % dos adultos consumam estes produtos regularmente e a maior procura é pela complementação vitamínica comum, o que em tese, pode ser obtido com facilidade através de uma alimentação saudável e equilibrada. Parece que problema está na crença de que o consumo destas substâncias “evita doenças” e na facilidade de adquiri-los, pois além de serem vendidos em qualquer lugar, não necessitam de prescrição médica.

 

O que dizem as pesquisas

De acordo com o editorial do Departamento de Medicina Interna da Cambridge Health Alliance, “nas últimas duas décadas, um fluxo constante de estudos de alta qualidade avaliando suplementos nutricionais gerou resultados predominantemente decepcionantes sobre os seus potenciais benefícios, enquanto as comprovações de malefícios continuaram a se acumular”, afirma Dr. Pieter A. Cohen.

Para o Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, os resultados não foram muito diferentes, de acordo com Dra. Elizabeth D. Kantor. Em seu artigo publicado pela Associação Americana de Medicina, no Journal of the American Medical Association (JAMA), que incluiu 37.958 adultos com 20 anos ou mais, “os resultados dos estudos observacionais foram contraditórios sobre os benefícios para a saúde de suplementos isolados ou multivitamínicos e/ou multiminerais, e muitas vezes os ensaios clínicos randomizados não corroboraram com os benefícios destes suplementos”.

Pesquisas indicaram que o uso de alguns suplementos em doses elevadas pode causar efeitos adversos, gerando ceticismo quanto à sua utilização. Existem inúmeros outros artigos que eu não citarei aqui, porque fugiria da proposta deste post, e que demonstram a mesma coisa. Parece que a exceção é a suplementação de vitamina D, que é outro assunto controverso e sobre o qual eu também não vou me alongar aqui.

Portanto, atenção: ainda não há estudo científico que comprove o benefício do consumo indiscriminado de suplementos e vitaminas por indivíduos saudáveis!

 

Mas quem deve consumir os suplementos e as vitaminas?

A indicação é para os pacientes que possuem dificuldades para absorver certos nutrientes como as gestantes, os bebês, os idosos acima de 60 anos, pacientes em convalescênça pós-operatória, pacientes que fizeram certos tipos de cirurgia bariátrica como o “bypass” e o “duodenal switch” e para pacientes com doenças intestinais e dietas restritivas.

 

O risco de lesões no fígado

Há sérios indícios de que o consumo abusivo de suplementos está relacionado à lesões hepáticas agudas. Em uma publicação de dezembro de 2017, o autor chama atenção para isso e que a razão seria o aumento de drogas e produtos à base de ervas, muitos deles presentes em produtos manipulados e indicados para musculação ou perda de peso, tão comuns em ambientes como academias. Eles acabam sendo vendidos sem um controle mais rígido dos órgãos de vigilância, como o FDA nos Estados Unidos e a Anvisa aqui no Brasil e como estes produtos não são considerados medicamentos, eles não são testados adequadamente quanto à segurança e tolerância.

O pior é que os seus rótulos, na maioria das vezes, não trazem as informações reais sobre o que está sendo de fato consumido. Pra quem tiver mais interesse deixo o link de uma publicação do jornal Hepatology e também um link do FDA a este respeito.

 

Pensando em suplementar sua alimentação para atingir melhores resultados físicos? Procure sempre um médico especialista e um nutricionista. Só eles poderão indicar as melhores alternativas para uma vida mais saudável. Para saber mais sobre esteatose hepática, clique aqui!