A endoscopia é um exame bastante seguro e solicitado frequentemente pelos gastroenterologistas para auxiliar no diagnóstico de várias doenças do aparelho digestivo superior, como as esofagites, hérnia de hiato e alargamento do hiato (doença do refluxo gastroesofágico), estreitamentos e dilatações do esôfago, úlceras esofágicas, câncer do esôfago, alguns tipos de infecções causadas por fungos (monilíase), gastrites, erosões e úlceras gástricas, câncer de estômago, doença celíaca, úlcera duodenal e câncer do duodeno.

Uma série de sintomas faz com que o seu médico solicite este exame, entre eles a queixa de azia ou queimação na boca do estômago e no peito, dor em aperto nestas regiões, sensação de saciedade precoce (você já se sente cheio logo no início da refeição), disfagia (dificuldade ou desconforto para engolir), rouquidão, pigarro, tosse, sensação de refluxo dos alimentos e mal estar depois de se alimentar.

A endoscopia é importante na investigação de anemias, na elucidação das causas de sangramentos digestivos, nos casos de emagrecimento sem causa aparente, na retirada de pólipos e de corpos estranhos que foram engolidos acidentalmente.  Também pode ser indicada para a confecção de gastrostomias, na colocação do balão intra-gástrico e nas gastroplastias endoscópicas, que são procedimentos para o tratamento da obesidade.

 

Como é feito o exame?

O exame por ser realizado em clínicas, consultórios e em hospitais e é fundamental que o paciente esteja em jejum, pois a presença de alimentos no estômago prejudicaria a adequada visualização do revestimento interno deste órgão.

O médico aplica um tipo de anestésico em spray na garganta do paciente, que posteriormente será deitado de lado em uma maca e um sedativo é aplicado na sua veia, permitindo que o exame seja feito sem desconforto.

Um tubo flexível que possui uma câmara muito pequena na sua extremidade e que é chamado de endoscópio, é introduzido pela boca do paciente e percorrerá o esôfago, o estômago e o duodeno, permitindo a visualização do seu revestimento interno.

A imagem, que é aumentada em 20-30 vezes, é transmitida a um monitor de alta definição e o médico pode vê-la em tempo real. A duração do exame é de uns 15 ou 20 minutos, não há dor e normalmente o paciente não se lembra de nada depois do exame.

 

Urease positivo

Muita gente fica de cabelo em pé quando abre o laudo da endoscopia e vê a anotação “urease positivo”, geralmente grafada em vermelho, no final da descrição do exame.

O teste de urease é um teste de coloração que o médico realiza, ali mesmo, na sala de endoscopia. É necessário um pequeno fragmento da mucosa do estômago que é retirado na biópsia e que é misturado com uma substância líquida (ureia e um marcador de acidez) num pequeno frasco.

Esse teste serve para determinar a presença da bactéria Helicobacter pylori e é positivo, se a cor do líquido se tornar rosa ou vermelho. Então, teste de urease positivo, significa que há a presença de bactéria no estômago e teste de urease negativo, significa que a bactéria não foi detectada.

A presença da H. pylori pode ser confirmada na biópsia que é enviada para o laboratório, mas também pode ser feita sem a necessidade de endoscopia (se tiver interesse, leia mais sobre isso aqui).

 

E para que fazemos as biópsias?

A biópsia, nada mais é, do que a retirada de uma pequena porção do tecido que se quer analisar e, neste caso, é feita através de uma pinça muito fina que é acoplada ao endoscópio. Esta amostra do tecido é enviada para investigação histológica, que é feita em um laboratório especializado em anatomopatologia e é reencaminhada ao médico, geralmente num período entre 10 e 15 dias.

A maioria das biópsias que são feitas nas endoscopias são para a pesquisa da presença da bactéria H. pylori e para o estudo histológico da mucosa do esôfago e do estômago, na identificação e confirmação de esofagites e gastrites. A biópsia também serve para o diagnóstico de qualquer alteração que o médico percebe durante o exame e na diferenciação das lesões benignas e malignas.  

Entenda a importância da biópsia observando este exemplo: Quando há o diagnóstico de gastrite numa endoscopia sem biópsias da mucosa gástrica, o endoscopista pode, em muitos casos, “errar” na sua interpretação e a gastrite não existir, de fato.

O único meio para se fazer o diagnóstico preciso de gastrite é através da endoscopia com biópsia da mucosa gástrica. Isto porque, por definição, gastrite é um diagnóstico histológico (alteração a nível celular – vista ao microscópio).

Estudos mostram que pacientes com sintomas típicos de gastrite e com laudo de endoscopia normal têm, em até 40% dos casos, alterações histológicas que caracterizariam gastrite, ou seja, esses pacientes têm realmente gastrite, mas receberam como resultado do exame “endoscopia normal”. Da mesma forma, em muitos casos o patologista não detecta alterações histológicas na mucosa de pacientes com diagnóstico endoscópico de gastrite, daí a importância da biópsia neste caso.

 

Há riscos no exame?

A endoscopia é um exame extremamente seguro, com índices de complicações sérios, como perfurações e sangramentos importantes, muito baixos. Os efeitos colaterais do exame acontecem, principalmente, devido ao uso do sedativo para a realização do exame.

Para que o sedativo possa ser infundido no paciente é necessário pegar uma veia na mão ou no braço do paciente e, por isso, eventualmente podem ocorrer flebites, que são inflamações na veia, causadas pelo contato com o medicamento, por causa do trauma local com a agulha ou mesmo por uma pequena infecção. Geralmente são simples de resolver com a aplicação de pomadas de anti-inflamatórios, mas pode ser necessário o uso de antibióticos em alguns casos. 

Também pode ocorrer do paciente ficar bastante tempo dormindo depois do exame. Isso varia bastante, na dependência da dose que foi utilizada, da sensibilidade do paciente ao sedativo e da sua capacidade para metabolizá-lo. Habitualmente o efeito do medicamento dura menos de 30 minutos, mas é aconselhável que o paciente não dirija e não tome decisões importantes nas próximas oito horas depois do exame.

Pode acontecer um certo desconforto na garganta após cessar o efeito do anestésico (spray que é borrifado na garganta antes do exame).

Como é necessária a infusão de ar durante o exame, através de um dispositivo no endoscópio, o paciente pode se queixar de sensação de distensão abdominal (gases) e mais raramente de cólicas. O ar é infundido durante o exame para que as paredes dos órgãos se afastem e permitam a visualização da sua superfície interna. Muito deste ar é eliminado pelos arrotos durante o exame, mas parte dele pode ficar nos intestinos, causando o desconforto.

Quando são feitas as biópsias e as retiradas de pólipos, por exemplo, podem ocorrer sangramentos, mas geralmente são muito discretos e o médico é capaz de realizar a cauterização do local que está sangrando, durante o próprio exame de endoscopia.

 

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