Acredita-se que até dois terços da população mundial estejam infectados por esta bactéria. Nos países em desenvolvimento sua prevalência é ainda mais alta, chegando a atingir 80% da população. Helicobacter pylori é uma bactéria que vive em simbiose com o corpo humano, na barreira de muco que protege internamente o estômago, sendo uma das únicas bactérias capazes de sobreviver a este meio ácido.

 

A descoberta

Foi descrita pela primeira vez no início dos anos oitenta por dois pesquisadores australianos, Barry Marshall e Robin Warren. Pesquisa que, mais tarde, lhes renderia o Prêmio Nobel de Medicina de 2005. Não há sintomas e achados clínicos típicos desta infecção.

Felizmente a grande maioria das pessoas infectadas não desenvolverá qualquer sintoma e não terá qualquer problema ao longo de sua vida. Porém, alguns pacientes apresentam sintomas comuns a várias outras doenças e muitos estudos têm mostrado forte associação do H. pylori com gastrite crônica, úlcera duodenal, úlcera gástrica e linfoma MALT.

O nosso sistema imunológico geralmente não tem capacidade de eliminar o H. pylori e por isso, após a infecção que geralmente acontece na infância, convivemos com este micro organismo por toda a vida.

 

A infecção

Não se sabe ao certo como e quando ocorre a contaminação de um ser humano pelo H. pylori. Mas, existem indícios de que se pode pegá-la através do contato oral com água, alimentos e saliva contaminados. Ou seja, para prevenir a infecção é importante reforçar os hábitos de higiene: lavar as mãos antes de qualquer refeição, higienizar muito bem frutas e verduras e evitar dividir talheres e copos com outras pessoas.

 

O diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito através do teste da urease, que é rápido, barato e o mais utilizado em nosso meio. É feito realizando uma biópsia da mucosa gástrica por endoscopia e colocando o material em um reagente que muda de cor se o teste for positivo. Outra forma de se realizar o diagnóstico é através do estudo histológico do fragmento da biópsia e pela cultura da bactéria.

Há também outros testes que são menos usados, mas têm a vantagem de não necessitarem de endoscopia: Teste de respiração da uréia, onde o paciente ingere uma solução que contém uréia com carbono marcado radioativamente. Quando a bactéria está presente a uréia é degradada liberando o carbono marcado que é absorvido pela corrente sanguínea e eliminado pelos pulmões. Há o teste de anticorpos que é feito com uma amostra de fezes e a sorologia para o H. pylori, que é feita com uma amostra de sangue.

 

O tratamento

Calma! Se você foi diagnosticado com H. pylori, não precisa se preocupar, pois a maioria dos brasileiros é portador desta bactéria no seu estômago. Há uma tendência entre os especialistas em erradicar a bactéria na maioria dos pacientes, mas isso ainda é um pouco controverso. Cada paciente deve ter o seu caso avaliado criteriosamente pelo seu médico, que decidirá o que fazer.

O Terceiro Consenso Brasileiro sobre o tratamento da infecção pelo Helicobacter pylori sugeria o tratamento nos seguintes casos:

  • úlcera duodenal;
  • úlcera gástrica;
  • linfoma MALT de baixo grau;
  • gastrite histológica intensa;
  • pós-operatório de câncer gástrico precoce e avançado;
  • pacientes com história prévia de úlcera ou hemorragia digestiva alta e que utilizarão anti-inflamatórios e AAS cronicamente;
  • pacientes com risco aumentado para câncer gástrico;
  • dispepsia funcional sintomática (o que não é consenso nos guidelines internacionais).

 

Atualmente o tratamento de escolha (primeira linha) é a associação de dois antibióticos (claritromicina e amoxacilina) e um inibidor de bomba protônica (IBP), que é uma medicação que atua diminuindo a secreção de ácido pelo estômago por 14 dias (Quarto Consenso Brasileiro sobre o tratamento da infecção pelo Helicobacter pylori).

 

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