Sabe aquela sensação de azia, regurgitação, desconforto para engolir ou até aquela tosse que não passa? Muita gente demora para ir ao médico, mas é preciso ficar de olho, porque pode se tratar do refluxo gastroesofágico.

Lembra-se dele? Já publiquei um post no nosso blog sobre refluxo que você pode acessar aqui. O refluxo gastroesofágico acontece quando há migração do ácido do estômago ou da bile para parte de cima do tórax, em direção ao esôfago, causando vários sintomas. Quando a doença do refluxo gastroesofágica (DRGE) é recorrente ou não é tratada adequadamente, pode acontecer o aparecimento do Esôfago de Barrett.

 

E o que é o esôfago de Barrett?

O esôfago de Barrett é uma alteração no epitélio (camada de revestimento interno do esôfago) que vai se adaptando ao processo inflamatório causado pelo refluxo ao longo de anos. Na prática, funciona como um calo quando usamos um sapato apertado e nada mais é do que uma transformação adaptativa do nosso corpo em resposta a uma agressão – neste caso uma agressão ao revestimento interno do esôfago. O epitélio escamoso (normal) se transforma no epitélio colunar e pode apresentar metaplasia (alteração adaptativa da célula) e eventualmente displasia (surgimento de anormalidades na célula).

É encontrado em cerca de 10% dos pacientes com doença do refluxo gastroesofágico e o problema é que pode evoluir para adenocarcinoma de esôfago, um tipo de câncer do esôfago. O paciente que tem esôfago de Barrett tem entre 30 a 40 vezes mais chance de ter câncer de esôfago do que a população normal.

 

Quais são os sintomas?

Aqui está um dos principais pontos de alerta: os sintomas do esôfago de Barrett são idênticos aos dos pacientes com doença do refluxo gastroesofágico, mesmo se tratando de uma doença mais grave. 

Sintomas típicos: é frequente a queixa de pirose (azia), que é a queimação epigástrica (“na boca do estômago”) e retroesternal (no meio do tórax), eructações (arrotos), disfagia (desconforto para deglutir) e regurgitação (sensação de refluxo de alimentos).

Sintomas atípicos: tosse, rouquidão, dor no tórax que pode parecer infarto, pigarro e sensação de irritação freqüente na garganta. Menos comumente pode ocorrer asma e pneumonias.

Atenção: a doença do refluxo gastroesofágico pode ser muito sintomática no início e com o passar dos anos, justamente por causa das alterações adaptativas do organismo, o paciente pode se tornar quase sem sintomas, mesmo com o processo inflamatório ativo e bem avançado!

Por isso, ao sentir qualquer sintoma, é fundamental ir ao médico para um diagnóstico preciso, feito através de exames clínicos e da endoscopia.

 

Qual o tratamento?

Assim como para o tratamento clínico da DRGE, o tratamento para o esôfago de Barrett é baseado na mudança do estilo e hábitos de vida. Através de uma dieta adequada e de medicamentos é possível controlar da secreção de ácido pelo estômago e de manter adequado o esvaziamento gástrico. Alimentar-se com maior frequência e em menores quantidades é altamente recomendado. Evite alimentos fermentativos, frituras, bebidas alcoólicas e gasosas.

Os medicamentos chamados de inibidores de bomba protônica podem ser utilizados (omeprazol, lansoprazol, rabeprazol, esomeprazol) e atuam diminuindo muito a secreção de ácido pelo estômago. Outros como os pró-cinéticos (bromoprida, domperidona) promovem o esvaziamento gástrico mais rápido e também fazem parte do arsenal terapêutico.

O tratamento cirúrgico geralmente é realizado por videolaparoscopia e pode ser necessário. Ele consiste em se confeccionar uma válvula utilizando o fundo gástrico que é costurado em volta do esôfago. Pode-se corrigir a hérnia de hiato, quando presente, colocando o estômago na sua posição normal e diminuindo o orifício do hiato esofágico através da crurorrafia, que é a aproximação dos músculos do pilar diafragmático.

Se você possui qualquer um dos sintomas descritos, procure um médico especialista!

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