A busca por uma vida mais saudável é uma constante na vida de muita gente. Ao longo desta jornada, de tempos em tempos, é comum que algumas dietas caiam nas graças do público. A bola da vez parece que é o Jejum Intermitente, já ouviu falar nele? Para entender melhor as vantagens e desvantagens desta prática, convidei a a nutricionista Carla Herculano de Ornelas Barbosa, que cuida de muitos dos nossos pacientes, para um bate papo. Confira:

 

O que é o jejum intermitente?

É um método de emagrecimento que visa intercalar períodos de jejum e períodos de alimentação comum. Os modelos mais conhecidos são dois: um deles é chamado de 5 por 2 (cinco dias de alimentação normal, e dois dias em semi jejum) e o outro é chamado de 16 por 8 (16 horas de jejum por 8 de alimentação livre). O objetivo é estimular o metabolismo a utilizar os estoques de gordura, provocando a redução de massa gorda.

 

Quais as vantagens?

Quando indicada por um profissional experiente e feita de forma correta, a dieta tem o potencial de aumentar a disposição, traz clareza mental, controle da glicemia e insulina, além da redução do peso, claro, aponta Carla. Estudos mostram que o jejum faz com que as reservas de glicogênio musculares e hepáticas sejam consumidas, provoca um aumento dos níveis do hormônio do crescimento e queda dos níveis de insulina, o que facilita muito a queima da gordura corporal. Além da diminuição da glicose, há diminuição dos níveis pressóricos, de triglicérides, do colesterol, da proteína C reativa – que é um marcador de atividade inflamatória e do hormônio IGF-1, que está relacionado a uma série de doenças e inversamente à longevidade.

 

Quais os riscos?

Segundo a nutricionista, se não houver uma boa orientação, o paciente pode querer compensar o tempo que ficou sem comer e ingerir alimentos mais calóricos, pode haver hipoglicemia, fraqueza, anorexia, irritabilidade, dificuldade de concentração e dores de cabeça.

 

Quem pode fazer?

O jejum intermitente não é um programa recomendado a todos. É indicado, de forma geral, para pessoas que já seguem uma dieta equilibrada há um bom tempo e, especialmente, quem faz dieta com baixa ingestão de carboidratos. Não devem ser feitos por crianças, idosos, gestantes e mulheres que estão amamentando, quem sofre de diabetes tipo I e é dependente de insulina. O jejum intermitente também não é recomendável para quem pratica exercícios físicos. Com treinamento e orientação especializada isso até é possível, mas é preciso um tempo para adaptação.

 

Alô, gastrite!

Já falamos algumas vezes sobre a gastrite neste blog. Lembra dela? Quando estamos com gastrite, o jejum não está indicado, pelo contrário. Devido ao pouco volume de alimentos ingeridos e pelas horas sem comer, acaba ocorrendo um aumento da produção do suco gástrico, o que é absolutamente o que não queremos quando o objetivo é tratar uma gastrite. Nestes casos, a dieta mais indicada é a de fazer de 5 a 6 refeições ao dia, explica Carla. “Assim, evita- se a ansiedade e compulsão alimentar. O importante é a pessoa comer quando estiver com fome e isso é algo muito individual – depende do metabolismo e da genética de cada um”.

 

Minhas conclusões

Quem me conhece sabe que o que eu faço são as cirurgias bariátricas, que são indicadas para os pacientes que já tentaram todos os métodos disponíveis para a perda e controle de peso e apenas após isso, são encaminhados para o tratamento cirúrgico. Sou bastante entusiasta da cirurgia e dos seus comprovados resultados, mas é fundamental que não se pule etapas e que se faça todo o esforço possível para emagrecer, antes de tomar a decisão por operar.

Como a ideia do nosso blog é sempre trazer temas que interessantes aos nossos leitores e pacientes, fiz uma revisão da literatura e quero compartilhar com vocês que infelizmente ainda não há nenhuma publicação acadêmica no meio científico que concluiu pela superioridade do jejum intermitente sobre as outras dietas de restrição calórica. Veja, não estou dizendo aqui que ele não funciona, o que quero dizer é que a ciência ainda não conseguiu provar nos seres humanos, os inúmeros benefícios que são atribuídos a esta prática e que foram verificados na sua maioria, apenas em estudos com animais.

Acho que o ponto mais importante é entender que o jejum intermitente é mais uma ferramenta disponível para tentar o controle da obesidade. É bacana? Funciona? Parece que sim, em muitos casos, mas há a necessidade de mais estudos para que se possa afirmar categoricamente isso.

Lembre-se do que eu sempre digo por aqui: dietas milagrosas e fórmulas mágicas para emagrecer não existem, não se iluda!

O que hoje sabemos bem é que o controle do peso é comprovadamente benéfico para a saúde e ele deve ser sempre perseguido. Jejum intermitente pode ser ótimo para você, mas nem tanto para mim e vice-versa. A individualização do tratamento é o que realmente funciona. Só uma avaliação criteriosa e por quem conhece o assunto pode trazer benefícios reais para você. Por isso, fica aqui o meu conselho: não deixe de consultar um nutricionista ou um endocrinologista antes tentar mais uma dieta da moda.